Thursday, August 11, 2011

PÉROLAS AOS PORCOS

Saturday, June 27, 2009

O ABANDONO DO DISCÍPULO

Por Juliano Henrique Delphino para Tatiana G.M. Delphino

19 E, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, aonde quer que fores, eu te seguirei. 20 E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. 21 E outro de seus discípulos lhe disse: Senhor, permite-me que primeiramente vá sepultar meu pai. 22 Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos.
(Mateus 8:19-22)

Somos seres humanos, feitos de carne e osso. Seres desse mundo natural, com necessidades e dificuldades. Ser social que deseja aprovação da sua comunidade e progresso. E não se pode negar que o sucesso de uma pessoa está vinculado à sua capacidade de internalizar os valores passados por esta, de sua habilidade em conhecer as regras do jogo, de respeitá-las e de jogar, do qual depende o seu sucesso social.

Quem decide seguir a Cristo toma uma decisão dura, a de absorver, internalizar e viver pelos valores de Jesus. Consequentemente, o discípulo frequentemente entrará ou estará em conflito, pois o sistema de valores cristãos co-existe ao sistema mundano, mas praticamente sem nenhum ponto te intersecção.

Pode ser que você se sinta bem durante algum tempo em uma guerra, mas é impossível que você se sinta bem durante todo o tempo. Portanto, aquele que decide seguir a Cristo se sente muitas vezes solitário, carente, isolado e aflito.

Na metáfora das raposas e das aves que tem aonde repousar, Jesus nos alerta sobre o abandono do discípulo. Ser cristão implica em ser abandonado pelo mundo, pelo seu ambiente de trabalho, pelos seus amigos, por sua família e até por sua Igreja. Jesus mostra que o discípulo dificilmente receberá aprovação de alguém. Quando você se sentir cansado, não encontrará descanso. Quando se sentir desamparado, dificilmente alguém irá te ajudar. Quando se sentir carente, poucas pessoas te darão amor. E quando for injustiçado, ninguém te defenderá!

As vezes passa na nossa cabeça a idéia de, por causa disso, postergar a nossa entrada no Reino ou a nossa decisão de segui-lo. Mas Jesus nos alerta de que os mortos devem sepultar os mortos, ou seja, deixe os pagãos serem pagãos, mas nós devemos entrar imediatamente na batalha.

Apesar do abandono constante que sentimos em razão do mundo nos rejeitar, o que nos conforta é a promessa do Senhor: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições,mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João 16:33)

Monday, September 15, 2008

SATANÁS PENSA POR NÓS

por Juliano Henrique Delphino


A fé cristã, em sua essência, é anárquica e democrática. Anárquica porque não se submete a nenhum governo ou autoridade humana (liberdade) e exige a plena adesão voluntária dos seus membros a Jesus Cristo (novo nascimento); democrática porque os rumos de seu corpo (igreja) são tomados pela convergência das opiniões dos cristãos.


Portanto, para ser cristão, assim como para o bom exercício da cidadania, é preciso ter senso crítico e tomar posições firmes diante do mundo. Enfim, é preciso pensar! Ao contrário do que foi difundido e incutido durante séculos: “crente não é gentinha ignorante!”.


Sendo a igreja, nos moldes bíblicos, uma organização democrática, não há como negar que o consenso norteia suas relações e suas ações em todas as esferas. Contudo, a prerrogativa da liberdade traz consigo a responsabilidade e o dever das pessoas de se exprimirem. A omissão, a não participação e as interferências externas na espontaneidade individual funcionam como um câncer no sistema democrático e, consequentemente, na igreja.


A maior arma de Satanás para destruir o homem é submetê-lo à escravidão. Em sociedades livres, a sua estratégia para aprisionar é fazer o ser humano não pensar, ou ainda, pensar por você, de tal sorte que as pessoas achem que estão agindo por vontade própria quando na verdade é o inimigo que as está conduzindo.

Para tanto ele utiliza a mídia e a propaganda como formas de espalhar ideologias e alienar os seres. Como Noam Chomsky costuma dizer: a propaganda (mídia) funciona nos regimes democráticos o mesmo que o cassetete nos regimes tirânicos.


Assusta-me ver o crescimento de seitas pseudo-cristãs, de denominações heréticas, misticismo, distorções doutrinárias, tudo comandado por “pastores com propósitos”, “bispos”, “missionários”, “levitas”, “super-apóstolos” e “novos messias”, por meio de programas de rádio e televisão. Proporcionando “testemunhos” de exorcismos coletivos, experiências no espírito, milagres no atacado e enriquecimento sobrenatural.

O mais impressionante é ver a tolerância, aceitação e adesão dos evangélicos a essas coisas, me fazendo refletir e concluir que não estamos meditando na Bíblia, nem pensando, mas alguém está pensado por nós!


E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. (2 Pedro 2:1-3)

Monday, January 21, 2008

O PIOR QUE HÁ EM NÓS

por Juliano Henrique Delphino

Nosso medo de Satanás não reside no seu suposto “poder” ou em sua “transcendente” capacidade de destruir – como se ele fosse o negativo de Deus, o que ele não é –, mas no fato de nos identificarmos com ele. De vermos nele a maldade que há a todo custo rejeitamos: o maligno que em nós existe.

Já se culpou a serpente por todos os males da humanidade, e já se fez dela a responsável por tudo de errado. Ainda que digna do Gehena (inferno), pois o mal entrou no universo por causa dela, a grande maioria dos males não foi por ela causado, e sim por nós.

Para tanto, o diabo não precisa fazer muita coisa. Basta suscitar ou instigar o que há de pior no homem. Essa é a natureza da tentação (Tiago 1: 13-15)

Não foi Satanás quem matou Abel; mas Caim, assim como foram os espanhóis que dizimaram os índios; os portugueses que mataram os negros; Hitler quem exterminou os Judeus e os americanos que explodiram Hiroshima. A Bíblia não faz um histórico dos pecados dele; mas dos pecados da humanidade. Ele apenas atiça o que há de pior em nós.

Pelo que há de pior nos fazemos seus filhos (João 8: 44). Nos tornamos adversários de Deus, de Sua obra, de Jesus Cristo. Sempre pelo pior que há em nós.

Há muito tempo nos esquecemos do melhor, daquilo que só Jesus pode fazer brotar, não deixando o maligno nos tocar (I João 5 :18). Mas insistimos em apegar-se ao que é passageiro (I João 2: 15-17).

São os nossos olhos... Sim! São os nossos olhos!

O olhar denuncia as trevas interiores (Mateus 6:22-23). A boca testemunha sobre o interior, sobre o coração (Lucas 6:45). Não é o que vem de fora que nos contamina; mas o que sai de dentro (Marcos 7:15).

Conheci um jovem. Semelhante ao jovem rico que encontrou Jesus: irrepreensível no cumprimento da Lei. Moralista e religioso. Era admirado por todos os que o cercavam. Mas como o da Bíblia, lhe faltava uma coisa.

Há um tempo esse jovem se volta para o mundo com um ar de admiração. Seu olhar denuncia, a sua boca testemunha, e pensa que é o exterior que lhe contamina. E a cada dia é seduzido pelos manjares do rei.

Mas lhe digo: “...eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, ma a ti cumpre dominá-lo.” (Gênesis 4:7b)

Friday, September 29, 2006

MULHER VIRTUOSA

por Juliano Henrique Delphino

10 Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.11 O coração do seu marido está nela confiado; assim ele não necessitará de despojo. 12 Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida. 13 Busca lä e linho, e trabalha de boa vontade com suas mãos. 14 Como o navio mercante, ela traz de longe o seu pão. 15 Levanta-se, mesmo à noite, para dar de comer aos da casa, e distribuir a tarefa das servas. 16 Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com o fruto de suas mäos. 17 Cinge os seus lombos de força, e fortalece os seus braços. 18 Vê que é boa a sua mercadoria; e a sua lâmpada não se apaga de noite. 19 Estende as suas mãos ao fuso, e suas mãos pegam na roca. 20 Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado. 21 Não teme a neve na sua casa, porque toda a sua família está vestida de escarlata. 22 Faz para si cobertas de tapeçaria; seu vestido é de seda e de púrpura. 23 Seu marido é conhecido nas portas, e assenta-se entre os anciãos da terra. 24 Faz panos de linho fino e vende-os, e entrega cintos aos mercadores. 25 A força e a honra são seu vestido, e se alegrará com o dia futuro. 26 Abre a sua boca com sabedoria, e a lei da beneficência está na sua língua. 27 Está atenta ao andamento da casa, e não come o pão da preguiça. 28 Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva. 29 Muitas filhas têm procedido virtuosamente, mas tu és, de todas, a mais excelente! 30 Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada. 31 Dai-lhe do fruto das suas mäos, e deixe o seu próprio trabalho louvá-la nas portas.
(Provérbios 31: 10-31)


Hoje, nesse novo tópico, vou dispensar uma nota introdutória e serei claro e direto. A escolha da(o)companheira(o) que vem de Deus é o desejo de todo o cristão. Ninguém namora pensando em terminar, ou casa pensando em se divorciar. Mas todos buscam um amor verdadeiro que seja para vida toda.

Ocorre que o número de relacionamentos mal sucedidos sofreu um incremento considerável nos últimos tempos, especialmente no meio evangélico. Qual a razão disso? Qual a causa de tanta frustração?

Deixando de lado toda a argumentação da sexolatria e da ação de Satanás para destruir a família, é certo que grande parte dos rompimentos se deve por escolhas equivocadas. A Bíblia, em Oséias 4:6a, diz : “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.” Portanto, antes dos elementos subjetivos (afinidade, amor, desejo etc.), há critérios objetivos determinados por Deus que devem nortear a decisão. Saiba que não existe mulher (ou homem) perfeita. Mas existe a pessoa criada por Deus que pode te abençoar.

Para tanto, a fim de dar o conhecimento, colocarei em pontos os quesitos que devem ser preenchidos, sem os quais, o ideal é nem pensar em se relacionar com alguém que não se enquadra.

1 – O compromisso espiritual da outra pessoa deve ser equivalente ou maior que o teu. (2 Coríntios 6:14-18)

Não se fie em jugo desigual. O desequilíbrio sobre valores espirituais é o primeiro passo para o surgimento de problemas. Fatalmente é mais fácil você cair do que elevar o nível do outro. Um crente não deve namorar ou casar com um incrédulo, pois os valores são muito dispares. Com certeza surgirão conflitos sobre questões como religião, sexo antes do casamento, virgindade, lugares de freqüência etc.
A desigualdade inclui, também, desníveis entre crentes. Isto é, se você sente um chamado especial para a obra (missões, pastoreio, evangelismo etc), não dá para você se relacionar com alguém cujas metas inclui apenas ser um bom cristão, dedicando seus esforços em outra direção.
Enfim, diferenças de prioridades acarretam a conflitos futuros. Pense nisto!

2 – Fidelidade deve ser uma das principais virtudes

A primeira característica da mulher virtuosa, descrita em provérbios, é a sua fidelidade. No versículo 11 diz que o coração de seu marido está nela confiado. Sendo assim, sentimentos como desconfiança e ciúmes não fazem parte do relacionamento nos moldes bíblicos. Salvo o caso de ciúmes desmotivado (então o problema não é o outro, mas você!), se não existe confiança ou potencial de plena confiança no outro, esqueça! Nem inicie! Significa que você não reconhece essa virtude no outro, ou talvez essa virtude não exista em você (pois aquele que é infiel, vê infidelidade em tudo!)

3 – Santidade é fundamental.

A mulher virtuosa teme a Deus e pauta sua vida pelos mandamentos do Senhor. Como diz o versículo 12, ela dó faz o bem, e não o mal, todos os dias da sua vida. Lembrando-se que se trata de um texto da Velha Aliança, dizer que só faz o bem e rejeita o mal significa que é uma mulher que cumpre a Lei. Nos termos atuais, significa que é uma pessoa temente e obediente à Cristo.
Se você não vê isso na outra pessoa – esse compromisso profundo e íntimo com Jesus – é porque lhe falta virtude. E sem essa virtude, dificilmente será possível o vínculo se manter (entra na questão do jugo desigual).

4- Dedicação e cuidado.

A mulher virtuosa é aquela que tem uma dedicação acima da média pela sua família e pela pessoa que ela ama. Portanto, saber se a garota é obediente aos pais, se cuida dos irmãos, avós, revela que se dedicará e cuidará de você. Alguém que não honra os pais, como poderá te amar? É alguém humilde e simples. Não vive de ostentação e de deslumbramento. Mas pensa em somar e construir o seu lar. Os versículos 13 a 22 descrevem essa dedicação e esse cuidado com as pessoas que a cercam.

5- É o sustentáculo do marido.

A mulher virtuosa não é aquela que joga areia, mas, sim, é um dos motivos do seu sucesso. Alguém que te apóia em todos os sentidos. E te cobra quando você estiver errado. É só observar o que essa pessoa representa para aqueles que a cercam. Se ela não é motivo de benção na vida dos outros, nunca será motivo de benção na sua vida!

O marido da mulher virtuosa é conhecido nas portas, e assenta-se entre os anciãos da terra (v. 23). É um homem de honra e de sabedoria, porque a sua mulher garante a sua base e assegura o seu bom nome. Ela o honra (exemplo: Ester), não o vitupera (exemplo: Vasti).
Desamor, insubmissão, repúdio e agressividade, são características de quem nunca será seu suporte (isso serve tanto para homem quanto para mulher). Mulher insubmissa não é mulher virtuosa (não confunda submissão com escravidão). Homem violento e em desamor não é um homem de Deus (o homem de Deus vive por amor da sua família e honra a sua mulher em todos os sentidos.)

6- A sua maior beleza não é a física, mas o seu caráter.

Se a aparência da mulher fala mais alto do que seu caráter, não se trata de uma mulher virtuosa. Mas de uma fútil, vaidosa e vazia. O mesmo se aplica ao homem. Se a sua maior característica está no poder de seus músculos ou no seu dinheiro, você é um homem vulgar, não um homem de Deus. Mulheres virtuosas não são entregues a homens ordinários, mas somente a servos do Deus vivo.

Do versículo 24 ao 31, é o caráter da mulher que é ressaltado.

O texto termina com um paralelismo antitético, contrapondo aparência com caráter; exterior com interior; beleza física com valores; “Enganosa é a beleza e vä a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada.” (v. 30)

CONCLUSÃO

Portanto, se a pessoa que você está interessada destoa de qualquer um dos requisitos acima: não inicie um relacionamento! A paciência é uma das virtudes do cristão. Aguarde em Deus. Não se precipite! É claro que somente esses quesitos não são garantia de felicidade eterna, pois relacionamento depende de esforço (de procurar viver o padrão de Deus) e também depende de você (se você é e se enquadra como mulher ou homem de Deus, ou seja, como alguém virtuoso)!

Não peque por falta de conhecimento! Amanhã não culpe a Deus pelos seus equívocos! Lembre-se: depois que casar, não tem volta!

Monday, September 11, 2006

UM FERIADO COM A IGREJA

por Juliano Henrique Delphino
Não é de hoje que o nosso culto, liturgia e toda a nossa eclesiologia estão concentrados na figura do Templo. Toda a tradição evangélica contemporânea coloca os seus esforços nesse ícone central. Verdadeiro totem do cristianismo pós-moderno, o poder do “mito do templo” como único lugar para a prática da vida cristã é tão onipresente e devastador que chega a ponto de incorporar e fagocitar conceitos doutrinários como o conceito de igreja, por exemplo. Haja vista que, na maioria das vezes, “Igreja” e Templo são palavras utilizadas em sinonímia (quantas vezes não passamos em frente do local de culto dominical e dizemos para nossos amigos: - Essa é a minha Igreja!).

Ao contrário disso, igreja, como fundada por Jesus, está muito mais atrelada à idéia de tabernáculo (morada de Deus), diria, totalmente, tendo muito pouco, ou quase nada a ver com templo. Ela não é constituída de tijolos, mas de pessoas; não é estática, mas dinâmica; não é fixa, mas móvel; não é fria, mas quente; não é morta, mas viva. (“Não sabeis vós que sois santuráio de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” I Coríntios 3:16).

Esse feriadão eu não pisei um dia sequer no templo de costume. Na quinta feira, estive na casa de uma família de irmãos, passei o 7 de setembro em comunhão com o Carlinhos e a Louise, juntamente com o Renato, Gus, Miriam, Athayde e Carol. Pude abrir meu coração, ouvir testemunhos e discutir sobre os planos de Deus para nossas vidas.

No sábado estive com outra irmã, a Tatiana. Conversamos tanto sobre os sofrimentos que tivemos, sobre as experiências parecidas e como a misericórdia e a graça do Senhor nos alcança, que os muros do ressentimento e amargura presentes no meu coração começaram a ruir.

Por fim, no domingo, passei uma noite maravilhosa na casa e com a família do Pr. Átila, e lembrei que Deus fala conosco no meio da tempestade. Pude me arrepender de tantos e erros e pecados e sentir uma paz que há algum tempo não sentia, experimentando um início de restauração emocional.

Esse feriado não fui um dia no templo, mas passei o feriado inteirinho com a igreja. Com certeza foi um dos melhores feriados da minha vida. (“Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo.” Atos 2:46-47a).

Thursday, March 23, 2006

ASSIM FALAVA JOSUÉ

por Juliano Henrique Delphino

Então, Calebe fez calar o povo perante Moisés e disse: Eia! Subamos e possuamos a terra, porque, certamente, prevaleceremos contra ela.

(Números 13:30)

Se a liberdade é capacidade de agir de acordo com os ditames da própria vontade, confundindo-se, neste sentido, com a própria definição de poder, é verdade que, no indivíduo, esta nunca se encontra de forma absoluta. Somos limitados pelo mundo que nos cerca. Vai-se até onde o universo nos permite.

Mas se ser livre é poder agir até os limites – a divisão entre o “eu” e o “mundo” – , é fato que nenhum homem o é, pois a todo tempo aquilo que nos cerca restringe a nossa liberdade. A restrição não se dá pela diminuição dos limites, mas pela dominação da nossa própria vontade. “Somos livres para fazermos o que quisermos, porém não queremos nada do que o mundo não exija e determine para nós!”

A escravidão é uma característica intrínseca da humanidade coletiva. O homem é escravo não da sua liberdade, já que esta sempre impõe a obrigação da escolha, mas da “Vontade Geral” que controla a sua.

O mais engraçado é observarmos que os “espíritos livres” , como se intitulam os filósofos, são os mais presos de todos. São os arautos da revolução provocada pelo pensamento do porvir. São os anunciadores do próximo império das mentes e dos corações: do próximo paradigma.

Nenhuma visão pode libertar o homem de sua condição, de sua humanidade, de sua miséria. Todos os nossos esforços de superação resumiram-se a conseguir a saída de um cativeiro para outro. Sai-se do Egito para terminar na Babilônia. Do mundo Tribal/Patriaracal para os Estados Demagógicos de Direito. E quando, na história (esse é um termo que os marxistas adoram), houve uma proposta de libertação total de nossa miséria, saímos da clausura do Estado burguês para a “liberdade” da Ditadura do Proletariado! A nossa “terra prometida” é por força e por nome autoritária - o autoritarismo dos fazedores de crianças!

Em que caminho andam os detentores da verdade? Há verdades mais verdadeiras do que outras. Há a verdade que faz um homem, em nome de alguma coisa, explodir um ônibus cheio de pessoas alheias a aquilo que ele diz defender. Há a verdade que faz com que o Ocidente repugne a verdade daquele homem, e em nome da “tolerância” ficamos “verdadeiramente” inertes às situações e circunstâncias, sendo omissos quanto ao fato de que as armas comercializadas no Oriente somos nós que produzimos. Somos muito tolerantes quanto a isso!

Jesus certa vez disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (...)Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 8:32 e 14:6). Contudo, diz-se que Deus, sua idéia, enfim, o cristianismo é a fonte da prisão da humanidade. Feuerbach, Nietzsche, Russel, Freud, Marx e tantos outros nos “iluminaram” quanto aos perigos de Jesus! Todavia, a verdade desses homens e a nossa verdade jamais libertou alguém.

É o Egito... é o maldito Egito que nos consome. Deus a todo tempo, nos conclama para a libertação. Todavia, preferimos morrer no deserto. No deserto do pensamento humano. Por diversas vezes quase alcançamos a terra, mas os quarenta dias programados, transformaram-se em quarenta anos. E quando da entrada, ouvimos os espias: - Cuidado com a terra! É local de gigantes! Cuidado! Deus está morto!

Deve-se perguntar: aonde estão aqueles espias? Aonde está Zaratustra?

Eia! Subamos e possuamos a terra, porque, certamente, prevaleceremos contra ela.assim falava Josué!