ESTUDOS BÍBLICOS

Sunday, August 23, 2015

SOLIPSISMO – UMA FILOSOFIA DA SOLIDÃO

por Juliano Henrique Delphino

E Deus perguntou: Quem lhe disse que você estava nu? (Gênesis 3:11a)

A solidão é o que faz o indivíduo. 

Uma filosofia da solidão pressupõe que para além de nós só existe as nossas experiências. O que me faz ter certeza de que o que está aí fora realmente existe além da minha cabeça? Seria possível eu conhecer o objeto? A inacessibilidade do númenos (as coisas em si) é evidente quando percebo que tudo o que eu conheço advém dos fenômenos, ou seja, não conheço as coisas em si, mas como elas se manifestam.

O que garante que todos nós não somos esquizofrênicos? E se tudo que nos cerca não existir de verdade e todas as nossas experiências não passarem de simples sensações oriundas de objetos alucinados? Se pudéssemos trocar as nossas mentes, será que o azul que eu vejo é o mesmo azul que você vê?

No final, o que nos dá segurança é uma pretensa intersubjetividade, ou seja, uma concordância com o resto das pessoas de que aquela experiência é igual para os outros. E se todos os Outros forem meras projeções do seu Eu?

Se já não posso ter tanta certeza do que é empírico, pois tudo está suspenso, como posso dirigir minha vida baseada no “científico”? E se a verdade for transcendente?

Como afirma o aforismo 5.62 do Tracatatus Logico-Philosophicus, de Wittgenstien, “ que o mundo é o meu mundo, se revela no fato de que que os limites da linguagem (a linguagem que apenas eu entendo) significam os limites do meu mundo."

A solidão é o que faz o indivíduo, mas Deus é quem fez o homem!


E Deus perguntou: Quem lhe disse que você estava nu? (Gênesis 3:11a)



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