ESTUDOS BÍBLICOS

Friday, April 08, 2005

GEMIDOS INEXPRIMÍVEIS

por Juliano Henrique Delphino

“Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”
(Romanos 8:26)


De modo simples, orar é conversar com Deus. É expor o nosso coração diante do Pai estabelecendo uma relação de intimidade. A oração se dá de inúmeros modos: em pensamento, em louvores etc. Às vezes um simples suspiro ou um choro vale mais do que mil palavras (“... e Ezequias chorou amargamente.” - Isaías 38:3b).

Existe um mito de que Deus precisa de nossas orações. A verdade é que não precisamos falar nada para que Ele saiba o que se sucede conosco. Sendo a onisciência uma das características de Sua soberania, Deus conhece todas as coisas. Como se diz, “... antes mesmo que a palavra me chegue à língua, tu já a conheces inteiramente, Senhor” (Salmo 139:4).

Todavia, somos nós que necessitamos de Deus. Em Cristo Jesus temos hoje livre acesso ao Pai, o que nos permite colocar todas as nossas ansiedades diante de Sua presença, sem intermediários. E é através da oração – veículo pelo qual o Senhor permite que nos acheguemos a Ele – que se dá esse “aproximar-se”, demonstrando humildade e sentimento de dependência.

Deus nos ouve!

A oração tem o poder de mexer no sobrenatural: “A oração de um justo é poderosa e eficaz.”(Tiago 5:16b). Atua tanto que, sempre que oramos no nome de Jesus, o Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis, em um clamor que não se expressa ou se manifesta em palavras, mas ultrapassa a nossa realidade atingindo a esfera espiritual, transformando o universo, fazendo a natureza tremer, transcendendo o entendimento humano. Isto é, o Espírito Santo se move em nosso favor quando nós oramos.

Ora, nada é por acaso, mas em tudo o Senhor tem uma razão, porque “sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”(Romanos 8:28)

Com efeito, a oração acompanhada de fé em Cristo Jesus reverbera no mundo espiritual de tal sorte que carrega consigo a soberania de Deus, ou seja, o Espírito Santo traduz as nossas angústias levando ao conhecimento do Pai e, conseqüentemente, Deus age para o nosso bem.

É neste sentido que os gemidos inexprimíveis deve ser interpretado. Por causa da nossa oração, Deus move o mundo por amor a nós.

O Espírito de Deus que estava presente na criação, posto que se movia sobre a face das águas (Gênesis 1:2), agora está presente na recriação, interferindo na oração dos nascidos de novo (João 3:3-8), movendo tudo com gemidos inexprimíveis para abençoar os seus Filhos.

Portanto, sempre que você orar, lembre-se que o Espírito Santo está junto com você, com um clamor que não se põe em palavras e com um poder absoluto capaz de mudar radicalmente todas as coisas em seu favor.

Oremos sempre no espírito, porque a oração é capaz de transformar o mundo!

Tuesday, April 05, 2005

TOCAR EM JESUS

por Juliano Henrique Delphino

“Jesus foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. Ora, certa mulher, que havia doze anos padecia de uma hemorragia, e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos, e despendido tudo quanto possuía sem nada aproveitar, antes indo a pior, tendo ouvido falar a respeito de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe o manto; porque dizia: Se tão-somente tocar-lhe as vestes, ficaria curada. E imediatamente cessou a sua hemorragia; e sentiu no corpo estar já curada do seu mal ... Perguntou Jesus: Quem é que me tocou? Como todos negassem, disse-lhe Pedro: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem. Mas disse Jesus: Alguém me tocou; pois percebi que de mim saiu poder. Então, vendo a mulher que não passara despercebida, aproximou-se tremendo e, prostrando-se diante dele, declarou-lhe perante todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como fora imediatamente curada. Disse-lhe ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz”
(Marcos 5:24-29; Lucas 8:45-48)

Essa passagem conta sobre uma mulher com um fluxo ininterrupto de sangue de doze anos. Uma judia afligida por uma doença incurável que havia consumido todo o seu patrimônio.

Maior do que o sofrimento físico era o decorrente da desonra que sobre ela pairava, pois segundo a Lei, o homem ou mulher acometido de fluxo era considerado imundo, e tudo o que ela tocava imundo ficava, quer fosse objeto ou pessoa, pois pelo período que durasse a sua hemorragia, era o período da sua imundícia, como está escrito:

“Mas a mulher, quando tiver fluxo, e o fluxo na sua carne for sangue, ficará na sua impureza por sete dias, e qualquer que nela tocar será imundo até a tarde... Se uma mulher tiver um fluxo de sangue por muitos dias fora do tempo da sua impureza, ou quando tiver fluxo de sangue por mais tempo do que a sua impureza, por todos os dias do fluxo da sua imundícia será como nos dias da sua impureza; imunda será. Toda cama sobre que ela se deitar durante todos os dias do seu fluxo ser-lhe-á como a cama da sua impureza; e toda coisa sobre que se sentar será imunda, conforme a imundícia da sua impureza.E qualquer que tocar nessas coisas será imundo; portanto lavará as suas vestes, e se banhará em água, e será imundo até a tarde. Quando ela ficar limpa do seu fluxo, contará para si sete dias, e depois será limpa. Ao oitavo dia tomará para si duas rolas, ou dois pombinhos, e os trará ao sacerdote, à porta da tenda da revelação.”(Levítico 15:19,25-29)

Aos olhos do judaísmo, segundo a Lei, o sagrado não santifica o comum, mas o imundo sempre profana o sagrado (Ageu 2: 12,13). A idéia que se tinha e que ainda se tem é que nunca poderemos nos achegar a Deus, porque Deus não se aproxima de pecadores.

Portanto, aquela mulher era uma imunda! E por onde ela andasse, carregava a sua imundícia consigo, sujando tudo ao seu redor.

Ora, se um judeu comum jamais poderia tocar ou ser tocado por uma mulher desse tipo sob pena de ficar imundo, como poderia ela tocar em Jesus, o Messias?

Quantas vezes nós não somos paralisados por esse tipo de pensamento?

Mas aquela mulher, ao contrário de nós, não olhou para a sua situação e seu sofrimento, mas olhou para o Senhor com os olhos da fé, e em esperança contra a desesperança cria com absoluta convicção de que “se tão somente tocasse-lhe as vestes, ficaria curada”, pois Deus não pode ser contaminado pelo mal, mas o oposto, o Todo-Poderoso é tão Santo, que tudo o que Nele encosta, ainda que seja a coisa mais imunda, é purificada pelo seu poder!

É isso a fé! É a plena certeza do cumprimento das promessas de Deus. É paradoxo e paixão que permite que Dele nos aproximemos. Se pela lógica o que aquela mulher estava cometendo era um sacrilégio, pela fé era um ato de amor capaz de mover o sobrenatural, como diz em Hebreus 11:6, “ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.”

E foi nisso. Tão e somente nisso que aquela mulher imunda, como muitas vezes as pessoas vão afirmar sobre nós, assim como falam das prostitutas, travestis e bandidos, creu de todo o seu coração nessa promessa. Ela nunca duvidou, pois tinha a certeza que Deus é galardoador dos que o buscam.

Soma-se a isso que Jesus estava no meio de uma multidão. Centenas de pessoas o haviam e estavam o tocando, mas quando aquela mulher, movida de toda a fé lhe tocou, Ele se moveu, parando e perguntando quem o havia tocado.

Os discípulos, como nós, em sua visão incrédula, replicaram: - “Mestre, a multidão te toca!” Como se fosse impossível saber.

Mas Jesus revela que o toque que sofreu foi diferente, foi um toque de fé, de tal sorte que dele “saiu virtude”, “saiu poder”.

E aquela mulher com medo – já que há doze anos fora subjugada ao rótulo de imunda e, afinal de contas, ousava tocar e profanar o Messias –, apavorada com a possível reação da multidão, se identifica, declara o motivo que o tocara e como fora curada.

A resposta de Jesus é simples: – “a tua fé te salvou”.

Quantas vezes o sofrimento nos atormenta, o vazio nos devasta, a solidão nos condena, o pânico e a angústia se fazem presentes, e sem saída, perdemos toda e qualquer esperança num futuro, sonhamos com a morte, flertamos com o suicídio, fazemos das trevas a nossa morada, aguardando apenas o fim?

O homem não tem a resposta para o sofrimento, mas Deus tem a saída. Para tanto, basta tocar em Jesus!

Somente através da fé podemos tocar no Mestre. Quando eu e você verdadeiramente tocarmos em Jesus, o milagre iremos ver, porque Dele sairá virtude.

“Ao que lhe disse Jesus: Se podes! -tudo é possível ao que crê”.(Marcos 9:23)

Tuesday, March 29, 2005

CIRCUNCISÃO E VIRGINDADE: UMA RESTAURAÇÃO

por Juliano Henrique Delphino

“Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se guardares a lei; mas se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão tem-se tornado em incircuncisão. Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão? E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, julgará a ti, que com a letra e a circuncisão és transgressor da lei. Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.”
(Romanos 2: 25-29)

A circuncisão é o símbolo da Aliança de Deus com Abraão (Gênesis 17:9-14), com base na Sua promessa a este: “farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência”. (Gênesis 13:16) Se operava na carne, isto é, no prepúcio, representando a purificação e a separação dos descendentes de Abraão, significando que o homem circuncidado possui uma descendência santa, separada à Deus.

A circuncisão é um símbolo do temor do Senhor, de obediência, de santificação, de amor e devoção a Deus, sem as quais, esta perde o seu significado.

Ocorre que os judeus começaram a confiar na autojustificação, achando que pelo fato de serem circuncidados, isso lhes outorgava o direito de filho de Deus, sendo algo em que se gloriavam. Por isso desprezavam os gentios (todos os não judeus) sentindo-se superiores por viverem uma vida regrada, entendendo que as nossas condutas são suficientes para adquirirmos a vida eterna.

Esse problema atingiu a igreja primitiva, havendo dissensão entre dois partidos: dos cristão-judeus e dos cristão-gentílicos. Os judaizantes olhavam com desprezo os cristão-gentios, sentindo-se superiores, julgando para a condenação todos aqueles que não cumpriam a Lei, chegando a ponto de ensinarem que para ser salvo a graça de Cristo não era suficiente, mas operava em conjunto com a guarda da Lei.

Neste contexto o apóstolo Paulo escreveu a carta aos romanos, mostrando a verdadeira circuncisão. Muito mais do que ações exteriores, a Aliança que Deus estabelece com o homem é sempre no coração. E que a Nova Aliança, superior à Antiga baseada em ordenanças, é a aliança do amor, realizada em Cristo Jesus, no seu sacrifício na cruz do Calvário, levando sobre si todos os nossos pecados, apagando todas as transgressões, nos reconciliando com o Deus para todo o sempre. Amém!

Aplicando o texto aos nossos dias, em tempos de baixeza moral, em que muitos cristãos vivem com absoluta falta de compromisso, tendo uma vida devassa, há aqueles que se guardam de todas essas coisas, procurando viver de acordo com os padrões do Todo-Poderoso. Todavia devemos saber que isso é conseqüência de termos sidos salvos, como prova da fé que operou a salvação em nós, para que andássemos de acordo com as boas obras que Cristo de antemão preparou para que nelas vivêssemos (Efésios 2:8-10).

Daí não significa que podemos nisso confiar, pois não é pelas obras que somos justificados, mas pela fé em Jesus Cristo. Como está escrito: “...a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção.” (Romanos 3:22).

Semelhantemente, infelizmente muitos de nós tem se gloriado na carne. Quando fazemos isso, ou seja, nos gloriamos em nossos atos, inferiorizamos aqueles que, arrependidos, tentam se aproximar de Deus, mas não conseguem por causa do nosso duro juízo.

Desta sorte, criam-se grupos na igreja: os dos “consagrados” e os dos “pecadores”. E assim, por mais que os pecadores tentem, jamais serão como os consagrados, pois faltam neles coisas que só os consagrados possuem: ter nascido na igreja, família de crente, virgindade, nunca faltar n EBD, ter inúmeras atividades, nunca ter se “contaminado o mundo” etc.
Ocorre que todas essas coisas, sem fé, e sem um amor verdadeiro de nada valem. É orgulho espiritual e soberba que conduz ao endurecimento do coração.

Um novo tipo de circuncisão surgiu nos tempos de hoje: a virgindade

Devemos ter em mente que é uma benção se manter assim, e que a sua perda produz conseqüências incomensuráveis, pois nos tornamos um com aquele com quem dormimos. E se somos templo do Espírito Santo, devemos nos afastar da prostituição (I Coríntios 6:12-20).

Em tempos de depravação sexual, de libertinagem e sodomia, manter-se virgem para um cristão é como a circuncisão para um judeu. A virgindade representa a nossa consagração, a nossa separação desse mundo, uma aguardar em Jesus a mulher (ou homem) que Ele preparou para nós, a fim de termos uma descendência consagrada.

Mas muitos jovens perderam a sua virgindade e com isso precisam de restauração. E mesmo arrependidos sentem que nunca mais poderão ser os mesmos.

Contudo, Jesus é Deus de restauração!

Virgindade é algo importante, mas sem amor, sem relacionamento genuíno com Cristo é como perdê-la.

Quando confessamos os nossos pecados e nos arrependemos, Jesus é capaz de restaurar todas as coisas. Ainda que para o mundo não sejamos mais virgens, Deus torna imaculada todas as coisas a qual santificou. “...ao que Deus purificou não consideres comum” (Atos 10: 15)

Se você é virgem, mantenha-se assim, não caia e nem se glorie nisso. Mas se você não é, saiba que Deus restabelece todas as coisas, como diz em Miquéias 7:18-19: “Quem é Deus semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade, e que te esqueces da transgressão do resto da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque ele se deleita na benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades. Tu lançarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar.”

Para concluir, com todo o temor e tremor, sem querer alterar nada, mas pedindo permissão e misericórdia para o Senhor, encerro parafraseando o texto de Romanos: “Porque a virgindade é, na verdade, proveitosa, se guardares a lei; mas se tu és transgressor da lei, a tua virgindade tem-se tornado em não- virgindade. Se, pois, o não- virgem guardar os preceitos da lei, porventura o não- virgem não será reputada como virgem? E o não-virgem que por natureza o é, se cumpre a lei, julgará a ti, que com a letra e a virgindade és transgressor da lei. Porque não é cristão o que o é exteriormente, nem é virgindade a que é só exteriormente na carne. Mas é cristão aquele que o é interiormente, e virgindade é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.”

Santifique-se!