ESTUDOS BÍBLICOS

Saturday, February 05, 2022

RESSIGNIFICANDO A FÉ

Wednesday, May 06, 2020

Idolatria e Demagogia


‘Mas a besta foi presa, e com ela o falso profeta que havia realizado os sinais milagrosos em nome dela, com os quais ele havia enganado os que receberam a marca da besta e adoraram a imagem dela. Os dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.”
Apocalipse 19:20

por Juliano Delphino

A "Narrativa" ou "Mythos", é a forma basilar de compreensão do mundo, pois remete ao Simbólico, à essência da Linguagem do Eu. Desde crianças ouvimos as historias infantis, aprendendo e apreendendo o mundo ao redor. A produção do Discurso se dá em dadas Formações Discursivas, em dadas Formações Ideológicas, que sempre remetem a Ideário sobre o qual somos construídos e somos absorvidos.


As Narrativas, ou mais modernamente, as Cosmologias, estão muito mais ligadas ao Universo de Símbolos que constituem o Ego do que a Realidade em si.


A Crença é bem mais poderosa que a Razão!


Os que lideram sabem disso e usam do Poder das Narrativas para te conduzir. É a arte da Demagogia!!!! Os Demagogos (Condutores do Povo) estão em todas as esferas! Criam Narrativas, constroem Símbolos, despertam Crenças e exigem Devoção!!!!


A Bíblia denúncia essa atitude como a mais deplorável que um ser humano pode tomar: a Idolatria!

Tuesday, May 21, 2019

PREGUE CONTRA ELA A MENSAGEM QUE EU VOU DAR

"Vá à grande cidade de Nínive e pregue contra ela a mensagem que eu vou dar a você". 
(Jonas 3:2)
(por Juliano Henrique Delphino)

A profecia bíblica é o anúncio divino nos chamando ao arrependimento. Muito pouco tem a dizer sobre o futuro. Fala sobre o presente dos ouvintes, denuncia o pecado e nos convoca ao retorno da Aliança. A mensagem não é humana, porque de vontade humana não veio, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:21)  

Jonas, o profeta de Israel, foi chamado a levar uma mensagem a um povo ímpio e extremamente cruel: os assírios. Ciente de que toda profecia é expressão da Graça, relutou em cumprir a sua missão, a ponto de ser engolido por um peixe em sua fuga para Tarsis pois sabia que a mesma dá a oportunidade de conversão antes que venha o Juízo. 

O comissionamento de Jonas até hoje grita forte, nos dizendo: "Vão às Grandes Cidades! Preguem contra elas!" Embriagadas em seus pecados, com sua violência e crueldade exacerbada, no abandono das periferias e na ostentação dos bairros ricos, esse ambiente de manifesta injustiça social clama por ouvir a Mensagem de Deus.

Preguemos contra elas! Sim! Preguemos contra elas a mensagem que o Senhor nos Deus, a saber, o Evangelho de Jesus Cristo!

O Evangelho é a mensagem que Deus deu a igreja, ou seja, a mim e a você. Temos o encargo, o peso, a responsabilidade de proclamar a Salvação, pois somos os Eleitos. Eleitos não como privilegiados que recebem as benesses de Deus, mas eleitos como os escolhidos para sermos servos e proclamarmos a Salvação por meio de Jesus Cristo!

Nínive ouviu a mensagem e por isso foi salva. E São Paulo? E o Rio de Janeiro? E tantas outras cidades espalhadas pelo Brasil e pelo Mundo? 

Quem sabe se tivermos o mesmo empenho que temos na luta pelo direto de posse/porte de armas na Proclamação do Evangelho "contra as Grandes Nínives", quem sabe eles se deitem em pano de saco, se arrependam e o Senhor os salve. 

Tuesday, February 13, 2018

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, A DEUS O QUE É DE DEUS

por Juliano Henrique Delphino
Então os fariseus saíram e começaram a planejar um meio de enredá-lo em suas próprias palavras. Enviaram-lhe seus discípulos juntamente com os herodianos que lhe disseram: "Mestre, sabemos que és íntegro e que ensinas o caminho de Deus conforme a verdade. Tu não te deixas influenciar por ninguém, porque não te prendes à aparência dos homens.Dize-nos, pois: Qual é a tua opinião? É certo pagar imposto a César ou não? "Mas Jesus, percebendo a má intenção deles, perguntou: "Hipócritas! Por que vocês estão me pondo à prova?
Mostrem-me a moeda usada para pagar o imposto". Eles lhe mostraram um denário,e ele lhes perguntou: "De quem é esta imagem e esta inscrição? ""De César", responderam eles. E ele lhes disse: "Então, dêem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".
Ao ouvirem isso, eles ficaram admirados; e, deixando-o, retiraram-se.
(Mateus 22:15-22)

INTRODUÇÃO
O maior erro de interpretação do texto acima é a compreensão das circunstâncias e dos conceitos suscitados à luz dos Estados Modernos (pós Revolução Francesa), pois: a) o Império Romano não era uma Monarquia Absolutista; b) Tributo nos tempos de Jesus nada tem a ver com os tributos no período do Absolutismo e muito menos com os Estados Liberais;
Essa má interpretação leva a confundir Jesus com um “Iluminista” pregador do “Liberalismo e do Estado Laico”, o que não tem qualquer ponto de contato com a realidade e significado de sua mensagem.

Sendo assim, o texto acima deve ser interpretado à luz de dois pontos cruciais, para que dentro das interpretações possíveis, possamos acolher a mais verossímil:
·         O Contexto Histórico do Fato Narrado
·         O Sentido Discursivo do Evangelho de Mateus

O CONTEXTO HISTÓRICO DO FATO NARRADO

O momento de Israel a qual Jesus exerceu seu ministério terreno é um dos mais difíceis e sombrios da história dos Hebreus. Após sucessivas invasões de povos estrangeiros, começando pela destruição do Reino do Norte (Samaria) pelos Assírios e do Reino do Sul (Judá) pelos Babilônios, vários Impérios tomaram de assalto, submetendo o povo de Deus ao domínio de nações ímpias. Seguido pelos Medo-Persas, Macedônios, culminando na dominação pelo mais brutal deles: os Romanos.

O Império Romano vivia de uma economia tributária, ou seja, a sua subsistência decorria do poderio militar por meio da expansão de suas fronteiras, invadindo os povos ao redor, subjugando-os a uma servidão cuja forma de pagamento pela vida e sobrevivência era a imposição da pena de pesados tributos ao povo derrotado. Portanto, o tributo surge na história como pena pecuniária imposta ao povo vencido ao povo vencedor.

Os tributos exigidos eram tão pesados que levavam o povo dominado a uma condição de grande dificuldade de subsistência, espalhando pobreza e miséria.  

Ora, para um judeu/israelita era inadmissível, como povo escolhido de Deus, nação sacerdotal, serem dominados por incircuncisos, idólatras, blasfemos, enfim, por pagãos como os Romanos.
Diante desse caos, há quatro grandes partidos com visões diferentes sobre a fé judaica e a atitude contra Roma. De forma resumida:  

a) fariseus: na revolta dos Macabeus, um grupo religioso, o hassidim, que lutaram contra Antíoco Epifânio, buscando suas origens em Esdras, reconstroem a fé judaica à luz do legalismo,  independentemente do Templo,  baseado um tradição mítica de que Deus havia dado, além da Torah Escrita, uma Torah Oral (Mishná) que fora transmitida intacta por Moisés aos Anciãos (grupo dos setenta), cuja compreensão somente pode ser realizada pelos Rabinos/Mestres da Lei – uma figura inexistente no Yahwismo, o qual era centrado em três ofícios sagrados: o Rei, o Sacerdote e o Profeta. Professavam que a libertação de Israel aconteceria com a chegada iminente do Messias – um descendente de Davi, líder militar, que libertaria o povo judeu do domínio romano e instauraria o Império de Israel.

b) saduceus: os saduceus são um grupo de origem imprecisa, composto de uma elite de descendência sacerdotal, que detinham o Sumo-Sacerdócio, configurava uma aristocracia que intermediava as questões com Roma. Administravam o Templo e criam somente na Lei Escrita, negando a existência de Lei Oral e de doutrinas como a da ressurreição. Subservientes, aceitavam pacificamente o Reinado de Herodes imposto pelos romanos e eram contra qualquer tipo de rebelião ao poder dominante;  

c) zelotas:  ou zelosos, era um grupo de revoltosos que pregavam uma insurreição contra Roma. De natureza mais política e menos religiosa, incitavam o povo a uma guerra civil contra os romanos. Radicais, frequentemente cometiam atentados e rejeitavam a condução dos outros partidos nas questões da nação, por não admitirem qualquer tipo de conciliação com os dominadores.

d) essênios: o povo do deserto tem suas origens no período dos Macabeus (I Macabeus 2:29). Eram ascetas radicais que se recusavam a viver me Jerusalém pois entendiam que esta estava profanada por conta da ilegitimidade do sacerdócio exercido, pois como descendentes de Zadoque, e herdeiros do Sumo-Sacerdócio, viram nos saduceus, também de descendência de outra linhagem sacerdotal, um bando de usurpadores do cargo a qual não tinham direito. De visão monástica e celibatária, era um secto de doutrina apocalíptica. Não são mencionados na Bíblia e suas doutrinas chegaram até nós pelos escritos de Josefo e pela descoberta dos Pergaminhos do Mar Morto.

O SENTIDO DISCURSIVO DO EVANGELHO DE MATEUS

Um texto não pode ser tomado isoladamente. Todo discurso é produto de seu contexto social. Para se entender um texto, é necessário confrontá-lo com seu contexto

Os evangelhos não são uma narrativa de fatos. Apesar de conterem fatos narrados, os evangelhos são textos de guerra. A palavra de origem grega é a tradução do hebraico basar que significa “boas novas de uma vitória militar”

Há uma clara relação com badar – palavra, com o relatório de Num  13:26.  Mas basar também significa fresco, carne fresca.  Evangelho está diretamente relacionado às boas novas sobre o que foi visto na terra prometida, mas numa visão de triunfo, como a percepção de Josué e Caleb.
Em Naum 1:15 “Vejam sobre os montes os pés do que anunciam as boas notícias e proclamam a paz.”

Portanto, os Evangelhos são textos que narram o triunfo de Deus sobre os inimigos de seu povo no processo de sua libertação. Narram fatos e elementos da vitória ou que nos asseguram a vitória diante de uma objeção levantada pelos derrotados ou por aqueles que se opõe a entrar na terra prometida

Os elementos históricos são subjacentes, pois fatos são incontroversos, o ponto central é o significado desses fatos. É necessário entender o seu sentido discursivo para compreender a sua mensagem

Sendo assim, qual o sentido discursivo dos evangelhos?

“É reafirmar ou explicar as consequências reais e espirituais do evento Jesus de Nazaré as quais estavam sendo negadas!”

Abaixo segue um quadro resumo do Sentido Discursivo dos quatro evangelhos canônicos:

EVANGELHO
SENTIDO DISCURSIVO
Mateus
Evangelho apologético: é resposta às objeções dos saduceus, fariseus, zelotas etc
Marcos
Evangelho escatológico: É a consumação apocalíptica das profecias do Velho Testamento. Jesus é o Filho do Homem
Lucas
Evangelho catequético: é um evangelho didático e doutrinário cuja proposta é ensinar “o Caminho”.
João
Evangelho ontológico: demonstra a natureza divina (Filho de Deus) do homem Jesus de Nazaré

Com esses dois pontos cruciais elucidados, agora fica mais tranquilo compreender o texto de Mateus

OS FARISEUS PROVOCAM JESUS SOBRE ELE SER O MESSIAS

A pergunta dos fariseus é uma clara provocação, um questionamento malicioso, sobre a sua messianidade. O objetivo era o de expor Jesus colocando-o em uma situação perigosa para ter um motivo para o acusar e o matar.

Na concepção farisaica o Messias é um descendente de David que iria comandar uma grande guerra contra os romanos. Era um “libertador”, escolhido por Deus, que iria derrubar Roma e instaurar o Reino de Israel, com feições de Império de Israel, que seria eterno, ou seja, Israel governaria o mundo para sempre, com uma Dinastia Davídica ininterrupta.

Ora, quando questionam sobre a licitude de se pagar tributo à Roma, mais precisamente a César, que era um título não só de poder mas de divindade dentro do culto ao imperador romano, estão perguntando a Jesus: já que você é o Messias, o Rei-General que derrubará Roma, não é agora que você vai manifestar o Reino de Israel derrubando o Império Romano, destruindo o blasfemo César e nos libertando do tributo? Porque é Israel que tem de pagar tributo à Roma ou é Roma é quem tem de pagar tributo a Israel?

A pergunta é uma clara armadilha! Se Jesus dissesse sim, eles levariam aos romanos e o acusariam de sedição e insurreição. Se dissesse não, eles os “desmascarariam” ao povo afirmando que ele não era o Messias, pois estava categoricamente fugindo do papel crucial do Messias segundo a doutrina dos fariseus, reconhecendo César como “deus”, e aproveitariam para acusa-lo de herege e de crime contra o Judaísmo.

O REINO DE DEUS E A VERDADEIRA MISSÃO DO MESSIAS
A resposta de Jesus é uma resposta genial! Ao dizer dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, além de sair da encruzilhada, Jesus está derrubando o conceito messiânico farisaico construído em cima de uma concepção mundana de sistema de dominação. A expectativa farisaica era de um “Messias Imperador”! A construção do Reino de Israel na teologia farisaica era de um Messias análogo a César, em um Reino/Império similar ao Romano, que iria massacrar todos os gentios e subjuga-los ao governo de Israel.

Mas a resposta de Jesus é uma resposta que separa as coisas profanas das sagradas. A ideia de Messias deles é uma ideia profana, mundana, de uma leitura míope das Escrituras no sentido de poder político. Mas ao dizer dar a Deus o que é de Deus, Jesus novamente enfatiza que Ele é muito mais do que o Messias! Simplesmente ele não era somente um descendente de Davi, Ele é a “Raiz” de Davi, o Filho do Homem, o Profeta Escatológico, o Servo-Sofredor, o Sumo-Sacerdote, o Filho de Deus que veio para restaurar todas as coisas, a saber, salvar a humanidade e trazer a Vida Eterna desfazendo a obra do pecado e derrotando o derradeiro inimigo: a morte!

A IGREJA E SEU PAPEL DE DERRUBADA DOS IMPÉRIOS
A mensagem é de um chamado de derrubada dos “Impérios” constituídos e sistemas pecaminosos de exploração do homem pelo próprio homem por meio da submissão ao Reino de Deus, cujas armas não são as desse mundo, mas onde todos são iguais e Deus é sobre todos. Através do amor, cuja maior expressão é o sacrifício de Cristo na Cruz do Calvário, todos os principados, potestades e dominadores do ar são derrubados (Efésios 6:12)!

Portanto, esse texto não fala imposto ou tributo, mas fala da necessidade da igreja ser igreja e derrubar os sistemas e valores vigentes por meio da pregação do Evangelho de Cristo!

É papel da igreja se opor a toda forma de injustiça, corrupção, perversão, miséria, violência e deturpação incitada, mantida e praticada pelo Estado, não importando qual o modelo! A igreja jamais pode ser conivente ou subserviente aos poderes constituídos, mas deve exercer seu papel profético e ser a consciência e a ministra da Salvação para uma sociedade doente e decadente!

O preço por dar a Deus o que é de Deus é o risco de ser perseguida e de sofrermos o que sofreu João Batista por não se acovardar e denunciar o pecado de Herodes.


Mas a questão é: qual igreja nós somos? A de Cristo ou a de César?

Monday, November 16, 2015

Humildade: o mesmo sentimento de Cristo Jesus!

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,”

Em tempos que o orgulho deixou de ser um vício para se tornar uma “virtude”. Na cultura dos winners (vencedores) versus loosers(derrotados), a lição da vida de Jesus compreendida pelo apóstolo Paulo soa como uma ofensa aos valores Pós-Modernos.

Esse texto de Filipenses nos leva a refletir o tipo de cristianismo que estamos vivendo cuja mensagem central abandonou o evangelho da graça para uma busca por realização pessoal. Como uma fórmula mágica, as pessoas têm procurado o segredo do sucesso, ou seja, como ter prosperidade, como ser uma pessoa que vive seu potencial no máximo, etc.

Na contramão dessa corrente, ter o sentimento de Jesus implica em não apegar-se na sua condição, não se fiar no seu ego, na sua auto-imagem, mas é se despir de seustatus e viver para servir os outros.

Sucesso na vida com Jesus não está relacionado na quantidade de seus bens ou no seu bem estar, mas no quanto você se entrega, em amor, pelos outros.

Que tenhamos o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus!

Sunday, August 23, 2015

SOLIPSISMO – UMA FILOSOFIA DA SOLIDÃO

por Juliano Henrique Delphino

E Deus perguntou: Quem lhe disse que você estava nu? (Gênesis 3:11a)

A solidão é o que faz o indivíduo. 

Uma filosofia da solidão pressupõe que para além de nós só existe as nossas experiências. O que me faz ter certeza de que o que está aí fora realmente existe além da minha cabeça? Seria possível eu conhecer o objeto? A inacessibilidade do númenos (as coisas em si) é evidente quando percebo que tudo o que eu conheço advém dos fenômenos, ou seja, não conheço as coisas em si, mas como elas se manifestam.

O que garante que todos nós não somos esquizofrênicos? E se tudo que nos cerca não existir de verdade e todas as nossas experiências não passarem de simples sensações oriundas de objetos alucinados? Se pudéssemos trocar as nossas mentes, será que o azul que eu vejo é o mesmo azul que você vê?

No final, o que nos dá segurança é uma pretensa intersubjetividade, ou seja, uma concordância com o resto das pessoas de que aquela experiência é igual para os outros. E se todos os Outros forem meras projeções do seu Eu?

Se já não posso ter tanta certeza do que é empírico, pois tudo está suspenso, como posso dirigir minha vida baseada no “científico”? E se a verdade for transcendente?

Como afirma o aforismo 5.62 do Tracatatus Logico-Philosophicus, de Wittgenstien, “ que o mundo é o meu mundo, se revela no fato de que que os limites da linguagem (a linguagem que apenas eu entendo) significam os limites do meu mundo."

A solidão é o que faz o indivíduo, mas Deus é quem fez o homem!


E Deus perguntou: Quem lhe disse que você estava nu? (Gênesis 3:11a)



Fé Renovadora que Refaz o Sacerdócio (Zacarias 3:1-9)

Monday, February 02, 2015

A Busca do Jesus Histórico é uma Aberração

Quero abrir essa reflexão com uma afirmação categórica: a visão da "Busca do Jesus Histórico" é absurda! 

Iniciada a partir da teologia liberal europeia do século XIX, notadamente a escola crítica, alguns teólogos começaram a saga de encontrar o "Homem Jesus de Nazaré Real", afastando os elementos "fantásticos" dos evangelhos uma vez que o "mito" era uma forma primitiva de explicar os fenômenos da natureza.

A partir de uma leitura seletiva do Novo Testamento onde compete ao exegeta excluir os elementos improváveis desmistificando os textos bíblicos, o objetivo era descrever o Jesus ser humano, com sua historicidade, que viveu no início da Era Comum.

O mito, para o homem contemporâneo, é algo a ser eliminado por conta de sua falsidade. Ocorre que, a palavra mythos, originalmente, difere em demasia do sentido a ela hoje atribuído. Significava narrativa, com suas verdades fáticas, intersubjetivas e emocionais. Mais do que uma história, é manifestação de uma coletividade. O poder do mito está na verdade social que ele expressa. Tão forte e tão presente que objetividade e subjetividade se confundem.

Muitas vezes figuras imaginárias são criadas para expressar valores profundos. Em outas, surgem pessoas com uma capacidade de impactar de tal forma o mundo, radicalizando-o, que a sua própria existência altera o rumo da história, alterando a "narrativa".

Ora, utilizando a palavra em seu significado original, todos os personagens históricos importantes só assim o são por conta do mito que surge inerente aos seus feitos, de modo que se tornam indissociáveis.

Ninguém fala sobre a busca do Sócrates histórico, busca do Moisés histórico ou, para utilizar um exemplo contemporâneo , a Busca do Hitler histórico. Ao tentar desmistificar Jesus não sobra nada de "histórico" para encontrarmos. O fato é que os milagres de Jesus são inaceitáveis para a ciência moderna de modo que essa "busca" é apenas uma forma de torna-Lo aceitável fora de seu contexto religioso. E fazer isso é o mesmo que tentar fazer Hitler aceitável fora de seu contexto político.

Separar o Cristo de Jesus é o mesmo que separar o Holocausto ou o Nazismo de Hitler. Pouco sobra! Essa atitude pode ter muito de ateísmo e ceticismo, mas nada tem de histórico.

Saturday, December 06, 2014

ROMPENDO COM O PECADO

"Portanto, uma vez que Cristo sofreu corporalmente, armem-se também do mesmo pensamento, pois aquele que sofreu em seu corpo rompeu com o pecado, para que, no tempo que lhe resta, não viva mais para satisfazer os maus desejos humanos, mas sim para fazer a vontade de Deus." (1 Pedro 4:1-2)

Entre os diversos conceitos de profundas dimensões teológicas existentes nesses dois versículos, o que me salta aos olhos é o de rompimento com o pecado. As pessoas só podem romper com aquilo que celebraram um compromisso. Podemos romper noivados, namoros, casamentos, promessas, contratos, enfim, alianças.

Quando Pedro diz que Cristo rompeu com o pecado, isso significa que a humanidade possui um pacto com a iniqüidade, uma relação íntima e fiel em como errar o alvo. Possui uma aliança em servir a sua própria vontade em desprezo absoluto à vontade de Deus.

Somos depravados, capazes dos mais sórdidos desejos, pensamentos e ações. Somos moralmente inaceitáveis. Temos uma aliança para a condenação, cuja ruptura fora realizada por Cristo Jesus na cruz do Calvário, levando sobre si todas as nossas faltas, aniquilando o pecado como está escrito: "Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados." (Isaías 53:5)

A quebra do vínculo com a pecaminosidade se dá por meio da graça salvadora do Senhor Jesus. Graça que nos conduz ao rompimento por meio de uma "mudança de pensamento" (metanoea), ou seja, por meio do arrependimento, que nos obriga a mudarmos de direção e a termos o mesmo pensamento de Cristo o qual nunca viveu para satisfazer seus desejos, mas, sim, para fazer a vontade de Deus.

Vivemos em tempos onde não queremos servir, mas sermos servidos. Somos individualistas, idólatras do Ego e  estamos dispostos às últimas consequências para fazer valer as nossas vontades, sucumbindo ante ao padrão do Senhor.

Há pessoas que rompem com todas as coisas, com a família, com a ética, com amizades verdadeiras, relacionamento conjugal, com os filhos, com tudo que se apresente como um empecilho para seus "sonhos", mas são incapazes de romper com o único elemento que realmente importa. Sem rompermos com o pecado é impossível termos a mente de Cristo e sermos santificados e termos a vida eterna.

Podemos optar em continuarmos pecando e irmos para o inferno ou podemos buscar a redenção em Cristo Jesus e recebermos a vida eterna!

Portanto, essa é a reflexão exigida, no tempo que nos resta, de que modo estamos vivendo?  Rompendo com o pecado para fazer a vontade de Deus ou em plena comunhão com ele pra satisfazer as concupiscências da carne?

Se você se sentiu tocado por essa mensagem e deseja fazer as pazes com Deus e romper de vez com o pecado, você apenas precisa  repitir de todo o coração essa oração: "Deus Pai Todo-Poderoso, tenho andando de modo completamente contrário à sua vontade, vivendo em pecado. Confesso-os a ti e me arrependo de todos. Muda meu caráter e me faz romper com a iniqüidade. Por isso professo Jesus Cristo como meu Senhor e meu Salvador pessoal. Escreve meu nome no Livro da Vida e me faz ter uma vida de santidade. Em Nome de Jesus! Amém!"

Caso seja a primeira vez que você tenha feito essa oração saiba que agora você faz parte da família de Deus. Busque uma igreja evangélica mais próxima da sua casa e conte ao pastor ou líder que ali estiver  sobre a sua decisão

Friday, December 05, 2014

DESTRUINDO O PECADO

"Aquele que pratica o pecado é do diabo, porque o diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo." (1 Joao 3:8)

O pecado é a causa da ruptura do relacionamento entre Deus e os homens. Foi através do pecado (hamartia) que a morte veio sobre nós. Pecar é errar o alvo, é se desviar dos propósitos do Senhor, é desobediência, é rebeldia contra o Todo-Poderoso.

Satanás sabe disso e por isso tentou Eva para que ela violasse o mandamento de não comer do fruto da Árvore da ciência do bem e do mal utilizando de todos os artifícios (mentira, bajulação, difamação, sacrilégio, cobiça etc.)

O texto acima mostra que o diabo vem pecando desde o princípio e é o arquiteto desse plano maligno de conduzir toda a humanidade, por meio do pecado, ao inferno. Em última instância, o único real problema da existência humana e de sua contradição (morte) é a questão do pecado!

Toda obra diabólica se reduz à tentar e conduzir os homens a se rebelarem contra Deus, pois o diabo sabe que Deus é justo, e apesar de todo o amor que nutre e possui por nós, ao pecador só lhe resta a condenação eterna.

Mas através de Jesus, a sua morte na cruz levando sobre si o pecado de toda a humanidade, por meio de seus sangue, nos dá a redenção, perdoando e nos purificando de toda a maldade.

Para isso que Jesus Cristo se manifestou, para destruir as obras do diabo, i.e., destruiu o pecado nos dando a vida eterna. Aquele que aceita a Jesus como Senhor e Salvador tem a sua vida regenerada e a morte não tem mais influência.

Amados, por isso uma vida de santidade é uma das marcas da salvação. Quem tem o Senhor Jesus não vive no pecado, mas em conformidade à vontade de Deus.

Tuesday, December 02, 2014

ANDAR COMO ELE ANDOU

"Aquele que diz que está nele, também deve andar como Ele andou." (1 João 2:6)

Em nosso estudo sobre 1 Reis 13 vimos duas características intrínsecas de um homem de Deus: submissão e obediência. Essas duas virtudes transbordavam em Jesus. A submissão pode ser claramente vista em sua oração no Getsemani: " Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres"(Mateus 26:39b). E a obediência em: "Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, pois sempre faço o que lhe agrada"(Joao8:29).

Portanto, dois traços marcantes de Cristo é que, não importando as circunstâncias, Ele sempre se submeteu à vontade do Pai e sempre obedeceu ao Todo-Poderoso.

Temos o defeito de inventar estórias acerca das nossas qualidades nos valorizando e criando uma autoimagem irreal. Somos condescendentes e complacentes conosco e acreditamos que praticamos um cristianismo genuíno simplesmente porque vamos à igreja aos domingos, tocamos na equipe de louvor, damos o dízimo, participamos da EBD, ou ainda porque frequentamos a vigília de oração, falamos em línguas, pregamos etc.

Nada disso é significativo ou demonstra que somos cristãos. A força do evangelho está no discipulado, em viver como o Mestre viveu, pois aquele que diz estar nele, deve também andar como Ele andou! Ora, e o que é andar como ele andou a não ser viver em submissão e obediência ao Deus Pai?

Portanto, irmãos, aquele que se diz crente, porém vive no pecado é mentiroso e o Espírito do Senhor não está nele, pois os que se tornaram discípulos de Cristo abandonaram as velhas práticas e o modo corrupto de proceder e hoje vivem na graça do evangelho do amor, em absoluta submissão e obediência ao Deus Todo-Poderoso.

Nisto consiste o verdadeiro evangelho: em amar a Deus acima de todas as coisas, arrepender-se dos pecados abandonando-os, e andar debaixo da graça e misericórdia de Jesus Cristo vivendo pelo Espírito.

Que aprendamos a andar como Ele andou.

Monday, December 01, 2014

HOMEM DE DEUS: SUBMISSÃO E OBEDIÊNCIA

(por Juliano Henrique Delphino)

"1Por ordem do Senhor um homem de Deus foi de Judá a Betel, quando Jeroboão estava em pé junto ao altar para queimar incenso.
2 Ele clamou contra o altar, segundo a ordem do Senhor: “Ó altar, ó altar! Assim diz o Senhor: “Um filho nascerá na família de Davi e se chamará Josias. Sobre você ele sacrificará os sacerdotes dos altares idólatras que agora queimam incenso aqui, e ossos humanos serão queimados sobre você””.3 Naquele mesmo dia o homem de Deus deu um sinal: “Este é o sinal que o Senhor declarou: O altar se fenderá, e as cinzas que estão sobre ele se derramarão”.4 Quando o rei Jeroboão ouviu o que o homem de Deus proclamava contra o altar de Betel, apontou para ele e ordenou: “Prendam-no!” Mas o braço que ele tinha estendido ficou paralisado, e não voltava ao normal.5 Além disso, o altar se fendeu, e as suas cinzas se derramaram, conforme o sinal dado pelo homem de Deus por ordem do Senhor.6 Então o rei disse ao homem de Deus: “Interceda junto ao Senhor, o seu Deus, e ore por mim para que meu braço se recupere”. O homem de Deus intercedeu junto ao Senhor, e o braço do rei recuperou-se e voltou ao normal.7 O rei disse ao homem de Deus: “Venha à minha casa e coma algo, e eu o recompensarei”. 8 Mas o homem de Deus respondeu ao rei: Mesmo que me desse a metade dos seus bens, eu não iria com você, nem comeria, nem beberia nada neste lugar. 9 Pois recebi estas ordens pela palavra do Senhor: “Não coma pão nem beba água nem volte pelo mesmo caminho por onde foi”. 10 Por isso, quando ele voltou, não foi pelo caminho por onde tinha vindo a Betel. 11 Ora, havia um certo profeta, já idoso, que morava em Betel. Seus filhos lhe contaram tudo o que o homem de Deus havia feito naquele dia e também o que ele dissera ao rei. 12 O pai lhes perguntou: “Por qual caminho ele foi?” E os seus filhos lhe mostraram por onde tinha ido o homem de Deus que viera de Judá. 13 Então disse aos filhos: “Selem o jumento para mim”. E, depois de selarem o jumento, ele montou 14 e cavalgou à procura do homem de Deus, até que o encontrou sentado embaixo da Grande Árvore. E lhe perguntou: “Você é o homem de Deus que veio de Judá?” “Sou”, respondeu. 15 Então o profeta lhe disse: “Venha à minha casa comer alguma coisa”. 16 O homem de Deus disse: Não posso ir com você, nem posso comer pão ou beber água neste lugar. 17 A palavra do Senhor deu-me esta ordem: “Não coma pão nem beba água lá, nem volte pelo mesmo caminho por onde você foi”. 18 O profeta idoso respondeu: “Eu também sou profeta como você. E um anjo me disse por ordem do Senhor: “Faça-o voltar com você para a sua casa para que coma pão e beba água””. Mas ele estava mentindo. 19 E o homem de Deus voltou com ele e foi comer e beber em sua casa. 20 Enquanto ainda estavam sentados à mesa, a palavra do Senhor veio ao profeta idoso que o havia feito voltar 21 e ele bradou ao homem de Deus que tinha vindo de Judá: Assim diz o Senhor: “Você desafiou a palavra do Senhor e não obedeceu à ordem que o Senhor, o seu Deus, lhe deu. 22 Você voltou e comeu pão e bebeu água no lugar onde ele lhe falou que não comesse nem bebesse. Por isso o seu corpo não será sepultado no túmulo dos seus antepassados”. 23 Quando o homem de Deus acabou de comer e beber, o profeta idoso selou seu jumento para ele. 24 No caminho, um leão o atacou e o matou, e o seu corpo ficou estendido no chão, ao lado do leão e do jumento. 25 Algumas pessoas que passaram viram o cadáver estendido ali, com o leão ao lado, e foram dar a notícia na cidade onde o profeta idoso vivia. 26 Quando este soube disso, exclamou: “É o homem de Deus que desafiou a palavra do Senhor! O Senhor o entregou ao leão, que o feriu e o matou, conforme a palavra do ­Senhoro tinha advertido”. 27 O profeta disse aos seus filhos: “Selem o jumento para mim”, e eles o fizeram. 28 Ele foi e encontrou o cadáver caído no caminho, com o jumento e o leão ao seu lado. O leão não tinha comido o corpo nem ferido o jumento. 29 O profeta apanhou o corpo do homem de Deus, colocou-o sobre o jumento, e o levou de volta para Betel[55], a fim de chorar por ele e sepultá-lo. 30 Ele o pôs no seu próprio túmulo, e se lamentaram por ele, cada um exclamando: “Ah, meu ir­mão!” 31 Depois de sepultá-lo, disse aos seus filhos: Quando eu morrer, enterrem-me no túmulo onde está sepultado o homem de Deus; ponham os meus ossos ao lado dos ossos dele. 32 Pois a mensagem que declarou por ordem do Senhor contra o altar de Betel e contra todos os altares idólatras das cidades de Samaria certamente se cumprirá." (1 REIS 13: 1-32)

Em 1Reis 13 conta uma história de difícil interpretação, a do Homem de Deus que veio de Judá a Betel para denunciar o altar idólatra que Jeroboão havia levantado para corromper o povo de Samaria.

A ideia do rei era afastar qualquer influência do reino do Sul o que incluía, para isso, desviar o povo do caminho de YAWEH criando uma nova religião que desvinculasse da praticada no templo de Jerusalém.

Diante de tal abominação o Senhor levanta um profeta, chamado de homem de Deus (iyshi Elohim), o qual com veemência anuncia a futura destruição daquele altar por um descendente de Davi, o rei Josias.

A história possui várias nuances e antíteses, bem como várias camadas proféticas, entre as quais destacamos:

a) O Templo de Jerusalém  x Templo de Betel
b) Judá x Samaria
c) Jeroboão x Davi (Josias)
d) Palavra de Deus x falsa profecia
e) obediência x desobediência

A força desse texto é tamanha que a ordem de evitar "voltar pelo mesmo caminho" e " não comer, nem beber em Samaria" foram levadas aos extremos pelos judeus como bem relata o Evangelho de João 4, na história da mulher Samaritana.

É justamente essa parte mais complicada, da mudança de ideia do homem de Deus sobre as ordens do Senhor dando crédito a uma mentira (falsa profecia) de um velho profeta que "disse que recebera uma mensagem de um anjo", caindo em desobediência, que quero falar.

Duas lições importantes depreendem-se:

a) Submissão ao Senhor: Quem quer ser um homem de Deus tem de ter em mente que homem de Deus não é livre para viver como um vulgar, pois tem dono: o SENHOR Deus. Homem de Deus não faz o que quer, mas faz aquilo que o Todo-Poderoso manda (Joao 3:8 - O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito) e a sua desobediência tem um "preço mais caro."

b) Obediência à Palavra: Não devemos crer à todo espírito que diz que tem uma mensagem dos céus trazida por anjos, nem se deixar levar por fábulas profanas, mas devemos ser radicais e permanecemos adstritos a uma estrita obediência aos mandamentos do Senhor revelados pela sua Palavra, a Bíblia ( Galatas 1:8 - Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! ).

Portanto, sem submissão e obediência, inexiste homem de Deus.

Tuesday, October 28, 2014

DEUS NÃO NOS DEVE SALÁRIO

"Ora, o salário do homem que trabalha não é considerado como favor, mas como dívida." ( Romanos 4:4)

por Juliano Henrique Delphino

O ser humano tem em sua mente a "lei da retribuição". Talvez esse pensamento tenha surgido da observação da natureza, notadamente a agricultura, pois, via de regra, aquilo que eu planto, eu colho.

Extrapolando tal concepção para outros aspectos temos a lei da causa e efeito, do "olho por olho, dente por dente", da pena enquanto um consequente retributivo, do karma, e tantas outras visões éticas e religiosas sobre uma lógica interna do universo contra as forças do caos.

De qualquer forma o que esses paradigmas tem em comum é a autossuficiência de determinamos o nosso destino. Está nas minhas mãos o céu e o inferno, o nirvana e o karma, a luz e o umbral e toda a dualidade arquetípica ao longo da da existência humana.

Contudo, tal visão ignora Àquele da qual todas as coisas vieram e nele  existe e subsiste: Deus.

Deus não é uma força, tampouco abandonou a humanidade à sua própria sorte. O Senhor é um Deus moral, pessoal e soberano. Deus é Santo e abomina o pecado. Quando fazemos um mal, pecamos. A consequência do "hamartia" (pecado) é o thanatos (morte). Sendo assim, todos nós deveríamos ir para o inferno!

No mundo espiritual, no tocante à vida eterna inexiste a "lei do jeitinho". Se eu cozinho comida com fezes, não é colocando tempero que agora fica bom para comer. Um tiquinho de cocô estraga todo o prato.

É impossível o homem salvar a si mesmo!

Boas obras não requerem mérito, mas é obrigação. Ninguém louva o ladrão porque parou de roubar. Do mesmo modo as obras não podem comprar a nossa passagem para o céu, pois se assim o fosse, Deus passa de credor à devedor dos bons obreiros.

Essa é a maravilha da graça! Que Deus nos ama em  nossas misérias!

O maior engano de todos é achar que precisamos fazer coisas boas para expurgar o mal de nós. Contudo, a natureza humana decaída é depravada. É preciso entender que o cristão não pratica boas obras para ser salvo, mas porque ele é salvo é que pratica boas obras.

O mérito é todo Dele, de Jesus!

Só através de Cristo, aceitando-o como Senhor e Salvador uma homem pode ser salvo.

Deus não nos deve salário!

Saturday, September 20, 2014

DOM DE PROFECIA E MENSAGEM PROFÉTICA

"Irmaos, acerca do que é espiritual, desejo que não sejam ignorantes...foquem no amor e  busquem zelosamente a espiritualidade, especialmente o profetizar." 
I Coríntios 12:1 e 14:1(livre tradução) 
(por Juliano Henrique Delphino)

Na caminhada cristã um dos alvos a serem atingidos é a santidade, pois sem ela ninguém verá o Senhor (Hebreus 12:14). Sua principal característica é a espiritualidade, a qual se manifesta através de sinais. O pentecostalismo com sua doutrina de um segundo batismo, que se dá pelo Espírito Santo, fundiu espiritualidade e sinais nos denominados "dons espirituais" (como popularmente são conhecidos) transformando-os em evidências físicas do que é santo.

Sem entrarmos no mérito da validade dessa doutrina, primeiramente precisamos entender o fluxo estipulado por Deus na caminhada cristã. Resumindo, este se dá da seguinte forma:

     |-----------------------|------------------------|--------------------------|
Conversão      Santificação            Espiritualidade              Sinais

Compreender exatamente cada significado dos termos desse fluxo faz com que tenhamos uma ortodoxia (doutrina correta) de modo que não nos afastemos dos desígnios divino. Em contrapartida, qualquer equívoco pode nos levar ao entendimento errôneo.

O apóstolo Paulo ao escrever a carta à Igreja de Conrínto percebia a grande influência do paganismo sobre as práticas daquela comunidade. Por reminiscências da religião de mistérios, comer alimentos sacrificado aos ídolos, divisão da liderança, prostituição e mística, foram algumas das questões enfrentadas por ele. Na leitura da carta, há um escalonamento apologético sobre as condutas reprováveis e heresias introduzidas e os versículos transcritos no início desse texto são especificamente sobre a "mística".

A mística grega era um ritual de iniciação aos conhecimentos dos segredos e dos mistérios (gnose). Portanto, um místico, era um iniciado em um culto esotérico. Com o foco em conhecer e descobrir as coisas ocultas, a tradição dos místicos era por evolução em graus. Conforme o iniciado ia se aprofundando no ocultismo, falar em línguas estranhas, entrar em transe, proferir agouros e oráculos, e toda sorte de superstições eram marcas de crescimento dentro desses círculos fechados.

Como acontece nos dias de hoje na mistura de práticas do protestantismo, candomblé e espiritismo, nos conhecidos cultos de descarrego, cultos de libertação, cura interior e quebras de maldições hereditárias, era um caso clássico de sincretismo religioso. Para tratar esse problema, Paulo vai na raiz dos conceitos. 

Yaweh é um Deus que tabernacula (faz morada) com o seu povo e a forma como se relaciona é através de Alianças. Deus fez alianças com Adão, Noé, Abraão, Moisés e os hebreus e hoje através de Jesus. Deus não é de coisas ocultas, mas um Deus que se revela. Em Hebreus 1:1-3, temos:"Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;"


Santidade, portanto, é ser fiel aos termos da aliança com Deus!

Ora, a espiritualidade enquanto marca da santidade se manifesta através de uma vida em conformidade  e obediência aos mandamentos de Deus. O profeta (hb. nabi) do Novo Testamento, assim como no Antigo, não é aquele que prevê o futuro, mas é aquela pessoa chamada por Deus para exortar o povo ao arrependimento e regressar à fidelidade aos termos da Aliança.

O maior princípio da Nova Aliança em Cristo Jesus é o Amor. Por isso o apóstolo Paulo disse: foquem no amor e  busquem zelosamente a espiritualidade, especialmente o profetizar.

A verdadeira mensagem profética está em exortar a comunidade, à luz da Palavra de Deus, a se arrependerem dos seus pecados e regressarem ao "Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo."

Os sinais, como manifestações miraculosas da verdadeira espiritualidade não são a glossolalia inútil, nem o cai cai e outras coisas aterradoras, muito mais insufladoras do ego e da arrogância pseudoevangélica, do que da piedade bíblica. Deus é o Senhor dos sinais, e estes somente aparecem na medida que são para reafirmarem os termos da Nova Aliança.

Como respondeu Jesus aos fariseus e saduceus que pediam um sinal do céu:

"Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. E, deixando-os, retirou-se. (Mateus 16:4) ...e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe...E começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia, e pregava, dizendo: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida. E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e vestiram-se de saco, desde o maior até ao menor." (Jonas 1:17b e 3:4-5) 





     








Thursday, September 11, 2014

PROVAÇÃO E CARÁTER

por Juliano Henrique Delphino
Deuteronomio 8:2 - Lembre-se de como o Senhor, o seu Deus, os conduziu por todo o caminho no deserto, durante estes quarenta anos, para humilhá-los e pô-los à prova, a fim de conhecer suas intenções, se iriam obedecer aos seus mandamentos ou não.

Em minha caminhada cristã tive um pastor daqueles que, se fosse possível, gostaria de nunca tê-lo conhecido. Contudo, acredito que o Senhor permitiu que a gente se encontrasse por dois motivos:
        1- para me servir de exemplo de tudo o que é abominável em um líder;
        2- para me marcar com a única frase útil que saiu de sua boca: - "Deus não está preocupado com o seu conforto, mas com o seu caráter!"

Não é exclusividade da Era Contemporânea a busca pelo conforto e bem-estar. Desde a Antiguidade o homem é egoísta, frívolo e individualista. Talvez por circunstâncias e estruturas do poder essas marcas sejam tão evidentes em todos atualmente ao invés de serem apenas marcas de uma elite, como no passado. O fato é que estamos sempre preocupados com o nosso umbigo.

Não somos simples e nem queremos apenas "o pão nosso de cada dia". Somos obstinados, mimados e a todo custo servimos ao único "deus" que "realmente" importa: o nosso Ego!

Satanás sabe disso e por isso em sua disputa com Deus sobre o caráter de Jó disse: - "Pele por pele! Um homem dará tudo o que tem pela sua vida" (Jó 2:4)  É evidente que nesse caso ele errou e errou feio, mas a experiência nos mostra que a tendência das pessoas é de serem dominadas por suas pulsões.

Diante dessa idolatria do "Eu", desconfio e não acredito na sinceridade e benevolência de toda ética secular. A razão é bem simples, enquanto o fundamento elementar de qualquer edifício moral for o amor supremo ao "Eu",  não existe nenhum tipo de sacrifício real, pois inclusive o "morrer por uma causa ou por alguém" nada mais é do que uma forma velada de culto da personalidade.

Desta sorte, nada disso passam de meros mecanismos de controle social defendendo os mais sórdidos interesses privativos, como forma de assujeitamento e dominação das massas.  Nesse sentido, comungo um pouco com o pensamento anárquico de Max Stirner e de sua "Sociedade dos Egoístas".

Um homem só consegue verdadeiramente ser ético se e somente se conseguir amar a Deus acima de todas as coisas. Está na destruição do Ego e no restabelecimento do governo do Espírito de Deus sobre o espírito humano o princípio da construção de um caráter aprovado.

Ao contrário do que se pensa, caráter não se nasce, se constrói. E a forma como Deus molda o nosso ser para sermos conforme a sua imagem e semelhança é através da provação.

O povo de Israel, da saída do Egito para a terra prometida, ficou quarenta anos vagando no deserto. O texto de Deuteronômio é muito claro, o motivo das dificuldades foi a ação de Deus moldando o caráter de uma nação a fim de revelar as intenções do coração na criação de uma obediência proveniente de um amor sincero e não de uma exterioridade efêmera e hipócrita.

Precisamos entender que sempre temos de escolher o caminho da Porta Estreita. Dilemas éticos nos são postos diariamente e a decisão não deve ser pautada para uma solução que nos seja mais conveniente, mas, sim, para aquela que é segundo à vontade de Deus! E decidir segundo a vontade de Jesus, pode nos trazer várias dificuldades e desconfortos pessoais.

O maior exemplo te todos foi o de Jesus de Nazaré. Ele é o Filho do Homem, o Messias, o Sumo-Sacerdote Escatológico, o Profeta, o Filho de Deus, o Alfa e o Ômega, não porque preencheu as expectativas pseudo-messiânicas dos fariseus e saduceus, mas porque foi o Servo-Sofredor como era do agrado do Pai.